Os esportes que mais frequentemente causam esse tipo de lesão incluem tênis, vôlei, handebol e beisebol. Nesses esportes, o movimento do ombro durante o arremesso é muito amplo, com o braço saindo por trás da cabeça, passando pelo arremesso da bola e finalizando próximo ao corpo. O ombro do arremessador é caracterizado por contratura da cápsula posterior, lesões do lábio superior (SLAP) e discinesia da escápula.
Quais são as alterações e como elas ocorrem?
A primeira alteração nos arremessadores é a limitação da rotação interna do ombro. Nessa fase, o ombro está “em risco”, pois pode iniciar toda a cascata de alterações durante o arremesso. Muitos arremessadores podem ter essa restrição de movimento sem sintomas, mas é importante tratar para evitar complicações.
Com o tempo, a restrição de movimento faz com que o ombro funcione de maneira alterada, e a rotação não ocorre mais no centro da articulação. Isso resulta em uma torção excessiva do tendão da cabeça longa do bíceps, que pode se soltar do osso, causando a lesão SLAP.
A partir desse ponto, o indivíduo pode sentir dor durante o arremesso, principalmente na fase de armação (braço atrás da cabeça), que pode inicialmente ser leve e progredir para uma sensação de braço morto. Outras lesões, como frouxidão dos ligamentos do ombro e lesões dos tendões do manguito rotador, podem ocorrer, limitando significativamente a capacidade de arremessar.
Como evitar?
O alongamento frequente do ombro, especialmente da rotação interna, é essencial para prevenir o ombro do arremessador. Nos indivíduos com o ombro em risco, esse alongamento deve ser feito várias vezes ao dia. Fortalecer os músculos rotadores do ombro, especialmente os rotadores externos, é igualmente importante, pois eles ajudam a “amortecer” a fase final do arremesso, diminuindo o risco de desenvolvimento do ombro do arremessador.
Qual é o tratamento do ombro do arremessador?
Mesmo após o desenvolvimento das lesões, o tratamento inicial deve ser com um programa de reabilitação, que inclui reequilíbrio do alongamento do ombro, fortalecimento dos músculos do manguito e dos músculos da escápula. Mesmo que algumas lesões não cicatrizem, como a lesão de SLAP ou do manguito, os sintomas podem diminuir, permitindo o retorno ao esporte. É importante corrigir o gesto esportivo, evitando movimentos extremos de rotação na armação do arremesso, utilizando mais a rotação do tronco.
Qual é o tratamento cirúrgico para o ombro do arremessador?
Em casos de lesões mais crônicas e graves, pode ser necessário o tratamento cirúrgico. Mesmo nesses casos, a reabilitação inicial é essencial, pois pode melhorar os sintomas ou preparar o ombro para uma recuperação mais rápida após a cirurgia. A cirurgia, geralmente realizada por artroscopia, envolve a correção das lesões dos tendões e ligamentos.
O reparo da lesão de SLAP é o procedimento mais comum. A liberação das contraturas e desequilíbrios da parte de trás do ombro pode ser realizada nos casos em que os alongamentos não foram suficientes. Após a cirurgia, a reabilitação dura de 3 a 6 meses e segue os princípios descritos anteriormente.


