OMBRO

Lesões do bíceps

As roturas do bíceps podem acontecer na sua origem no ombro ( bíceps proximal) ou na sua inserção no cotovelo ( bíceps distal). Podem ter causas degenerativas, traumáticas, estarem associadas com uso de anabolizantes ou com comorbidades prévias como diabetes ou artrite reumatoide. Em pacientes jovens, com alta demanda do braço e que tiveram uma rotura traumática do bíceps , em geral, optamos por tratamento cirúrgico. Já em casos de roturas degenerativas, em pacientes idosos com comorbidades, e com baixa demanda , optamos por tratamento conservador. Abaixo minhas técnicas de preferência para reparação do bíceps proximal e distal.

Luxação acrômio-clavicular

É uma lesão que ocorre nos ligamentos entre a clavícula na sua porção mais lateral e o acrômio, ocasionando a perda do contato normal entre as superfícies articulares destes dois ossos. Ocorre frequentemente em traumatismos quando o paciente cai sobre o ombro. Comum em esportes como judô, ciclismo e futebol. A articulação entre a clavícula e o acrômio é estabilizada por dois conjuntos de ligamentos: um entre o acrômio e a clavícula e outro entre a clavícula e o processo coracoide.

A luxação acromioclavicular pode ser classificada pelo grau de lesão dos ligamentos acromioclaviculares e coracoclaviculares e consequentemente pelo desvio da clavícula em relação ao acrômio. Existem 06 tipos , sendo o grau I, o mais leve, cujo o tratamento é imobilização com tipóia por 07 a 14 dias, uso de gelo, analgésicos e posterior reabilitação. Em geral, nos graus 4, 5, 6 indica-se o tratamento cirúrgico, visando restabelecer a congruência articular. Quanto mais rápido operarmos, melhor será o prognóstico. Segue técnica cirúrgica de minha preferência.

Tendinite Calcária

É uma tendinite que caracteriza-se por depósitos de cristais de cálcio no interior dos tendões do ombro. É mais comum em mulheres e pessoas acima de 40 anos de idade. As causas da formação destes depósitos de cálcio são desconhecidas, não estão relacionadas a atividade do paciente, alimentação ou acidentes prévios. Os sintomas da tendinite calcária ou calcária são muito semelhantes as tendinites ou bursites do manguito rotador. Pela radiografia do ombro podemos fazer o diagnóstico, visualizando as calcificações nos tendões.

Radiografia demonstrando calcificação no tendão supraespinal
Radiografia demonstrando calcificação no tendão supraespinal
Ressonância magnética demonstrando calcificação no tendão supraespinal
Ressonância magnética demonstrando calcificação no tendão supraespinal

Os depósitos de cálcio na tendinite calcária ou calcárea se formam lentamente ao longo dos meses ou anos, durante esta fase muitos pacientes tem um desconforto leve no ombro ou são até assintomáticos. Durante esta fase o tratamento clínico com fisioterapia e medicações anti-inflamatórias é muito efetivo. Para casos refratários pode ser utilizada a terapia por ondas de choque.

Terapia por ondas de choque
Terapia por ondas de choque

Sabemos que na maioria dos pacientes, a calcificação será reabsorvida sozinha ao longo do tempo. Durante a fase de reabsorção, pelo processo inflamatório, a dor pode piorar. Nesta etapa, podemos utilizar analgésicos e anti-inflamatórios potentes. Pode ser realizada uma infiltração no ombro no intuito de aspirar e/ou quebrar as calcificações com ótimos resultados.

Infiltração no ombro
Infiltração no ombro

Quando está indicado o tratamento cirúrgico?

Em alguns pacientes, as calcificações não são reabsorvidas ao longo do tempo e o tratamento clinico não é efetivo, sendo indicado o tratamento cirúrgico para remoção das calcificações. Atualmente o tratamento é realizado por artroscopia . Fazemos a remoção das calcificações que estão no interior dos tendões com cuidado para não ocasionar um dano maior ao tendão. Em alguns casos pode ser necessária uma sutura adicional nos tendões. A reabilitação pós-operatória pode variar de 2 a 6 meses dependendo do grau do comprometimento tendíneo.

Luxação e instabilidade do ombro

O ombro é a articulação do corpo com maior arco de movimento. Quando submetido a uma força excessiva que o empurra em uma direção ( quedas e traumas esportivos), ocorre a perda de contato total da cabeça do úmero com a glenóide (luxação).
As luxações podem ser anteriores, posteriores ou para baixo, sendo a luxação anterior a mais freqüente. Quando a luxação é incompleta (perda parcial do contato) chamamos de subluxação.
Após uma luxação, a cápsula e os ligamentos da articulação do ombro podem ter ficados lesionados e rompidos, permitindo repetidas luxações a qualquer grau de força. A isto chamamos de instabilidade do ombro.
Diante de um quadro de luxação aguda o paciente deve ser levado imediatamente para o pronto-socorro , pois trata-se de uma urgência ortopédica. Neste casos o ortopedista colocará o ombro no lugar através de manobras de redução. Analgésicos, gelo, imobilização por poucas semanas e um programa de fisioterapia são iniciados nesta fase.
Nos casos de recidiva (re-luxações) o melhor tratamento é o cirúrgico. Atualmente a cápsula e os ligamentos rompidos são refeitos através da artroscopia (veja no tópico anterior), método rápido, pouco invasivo e com excelentes resultados. Após a cirurgia, um programa de reabilitação é iniciado para que o paciente consiga realizar suas atividades esportivas e cotidianas prévias.
Nos casos de recidiva pós-cirúrgica ou quando o paciente apresentar uma falha óssea siginificativa, optamos pela cirurgia aberta com bloqueio ósseo ( técnica de Bristow-Latarjet).

Reparo artroscópico de lesão de Bankar

Reparo ósseo – Técnica de Bristow-Latarjet

Anatomia do ombro

Assista ao vídeo e entenda melhor como é a anatomia do ombro!

Bursite, Tendinite e Síndrome do Impacto

Os tendões são recobertos por um tecido que se chama bursa, localizando-se no ombro entre o acrômio, uma proeminência óssea e os tendões. A inflamação dessa área é chamada de bursite. Em geral, as bursites acontecem no ombro e cotovelo.

O tendão degenerado ou inflamado causa a tendinite. Sem tratamento, a tendinite pode causar uma lesão do manguito rotador. As bursites, tendinites e lesões do manguito rotador podem fazer parte do mesmo diagnóstico médico. Estes problemas podem ser gerados por esforço em movimentos repetitivos, formato do acrômio com excesso de curvatura ou pelo fato de ficar com os braços elevados por muito tempo.

Na maioria dos casos, não é preciso fazer um procedimento cirúrgico para tratar o problema. Geralmente, o uso de medicação e a realização de fisioterapia são suficientes para solucionar o caso.

Também podem ser necessárias correções de postura no esporte e no trabalho, infiltrações e injeções intramusculares, inclusive com ácido hialurônico, o que tem trazido excelentes resultados. Para alongar, fortalecer e aliviar as dores, pode ser recomendada fisioterapia.

Em casos crônicos, o paciente pode iniciar acupuntura e tratamento por ondas de choque. Se não houver uma boa resposta para o tratamento não-cirúrgico, a artroscopia pode ser feita para raspagem do acrômio e ressecção da bursa inflamada. Isso aumenta bastante o espaço para os tendões.

Lesão Slap (lábio superior)

As lesões tipo “SLAP“ são aquelas que acontecem após traumas no lábio glenoidal, em sua parte posterior, superior e anterior. Também afetam a origem do tendão da cabeça longa do bíceps.

Entre os causadores deste tipo de lesão estão movimentos de aceleração e desaceleração brusca dos braços em algumas modalidades esportivas, traumas no braço quando ele está estendido e desequilíbrios nos ombros, tanto musculares como capsulares. Entre os prejuízos estão dor e dificuldade para praticar o esporte.

Para diagnóstico, além de exame clínico, o médico pode solicitar a realização de ressonância magnética. As lesões SLAP podem ser uma fissura simples no lábio superior ou, em casos mais sérios, destacamento do lábio com tendão e bíceps. O tratamento pode incluir medicação, fisioterapia e artroscopia. O tempo de recuperação da cirurgia é de 4 meses.

Artrose do Ombro

O que é a artrose do ombro?

A cartilagem é um tecido presente nas extremidades dos ossos e é o responsável pela deslizamento dessas superfícies. Quando há movimento na articulação, graças ao lubrificante líquido sinovial e à amortecedora cartilagem, os ossos deslizam entre si com mínimo atrito. A artrose é a degeneração da cartilagem. Nas fases inicias da artrose a cartilagem torna-se mais áspera, aumentando o atrito durante a movimentação da articulação. A artrose grave surge quando a cartilagem é completamente destruída, fazendo com que o atrito entre os dois ossos cause desgaste dos mesmos. Este atrito nas articulações provoca uma inflamação da mesma, gerando dor e limitação dos movimentos do ombro. Quando há inflamação da articulação consideramos que ela possui uma artrite (igual a inflamação da articulação). O desgaste da articulação pode decorrer de diferentes doenças, como a osteoartrose primária (a mais comum, que acomete várias articulações e, em geral, após os 60 anos) ou a artrite reumatóide (reumatismo). A artrose do ombro é mais rara que do quadril, joelhos, mãos e coluna, mas pode gerar limitações muito importantes para atividades diárias e muita dor.

Radiografia mostrando artrose do ombro (glenoumeral)
Radiografia mostrando artrose do ombro (glenoumeral)

Lesão do Manguito

O manguito rotador é formado por um grupo de 4 músculos que envolvem a articulação do ombro e tem grande importância na estabilização, na força e na mobilidade do ombro.

As principais causas da lesão do manguito rotador são : traumas ou degeneração progressiva do tendão que ocorre geralmente devido a formação de um “esporão ósseo” no ombro que progressivamente vai danificando o mesmo.
Os sintomas de uma lesão do manguito rotador podem ser:
• Dor (geralmente piora a noite);
• Dificuldade para mobilizar o ombro (principalmente elevar);
• Fraqueza muscular;
O tratamento vai depender do grau da lesão , atividade do paciente, idade, hábitos etc
Nos casos mais brandos o tratamento inicial é feito com medicação, repouso e fisioterapia.
Nos casos mais severos que não respondem a este tipo de tratamento inicial, é necessário o tratamento cirúrgico, que hoje em dia é realizado pelo procedimento de artroscopia (visualização por video e com minima cicatriz). Na cirurgia é feito a reparação da lesão do tendão e os “esporões” ósseos no ombro são ressecados (acromioplastia).
Após a cirurgia o ombro é imobilizado com uma tipóia até ocorrer a cicatrização do tendão (4 – 6 semanas).

Segue a técnica de minha preferência

Capsulite adesiva (Ombro Congelado)

A capsulite adesiva (ou ombro congelado) é uma inflamação da cápsula articular (tecido que reveste a articulação) no ombro. Apresenta incidência aumentada em pacientes com diabetes, problemas da tireoide, convulsões ou que usaram imobilização (tipoia ou gesso) por tempo prolongado.

Esta doença apresenta um curso auto-limitado, ou seja, evolui para a cura após um período, na maioria das vezes. Entretanto, o tempo entre o surgimento dos primeiros sintomas e a resolução do quadro pode durar mais de 2 anos.

Os sintomas variam de acordo com o estágio da doença. Na fase inicial, dor costuma ser o único sintoma. Com o passar do tempo, a dor diminui e surge a limitação dos movimentos (torna-se difícil alcançar as costas ou levar a mão à cabeça). Na terceira fase, os movimentos voltam progressivamente ao normal.

O tratamento sem cirurgia é eficiente na maioria das vezes, consistindo em fisioterapia (para alívio da dor e ganho dos movimentos) e medicação (injetáveis ou por boca). Entretanto, o tempo necessário até ocorrer melhora completa costuma ser bastante longo. Ultimamente temos tido bons resultados na liberação do ombro atráves de Tratamento por Ondas de Choque

Em alguns casos selecionados é necessária fazer o tratamento cirúrgico (artroscopia para liberação da cápsula articular e manipulação).

Exercícios para ganho de movimento na Capsulite Adesiva do Ombro

Entre em contato conosco!