A Luxação Acromioclavicular é uma das lesões mais comuns na prática ortopédica e esportiva, afetando frequentemente ciclistas, judocas, jogadores de futebol e pessoas que sofreram quedas apoiando o peso sobre o ombro. Conhecida popularmente como “ombro deslocado” na sua parte superior, ela ocorre quando há o rompimento ou estiramento dos ligamentos que unem a clavícula ao acrômio (parte da escápula).
O tratamento e a gravidade dessa lesão não são todos iguais. Para definir se o paciente precisará apenas de uma tipoia ou de um procedimento cirúrgico, utilizamos uma classificação médica que divide a lesão em 6 graus diferentes.
Neste artigo, o Dr. Lucas Ramadan, Médico Ortopedista Especialista em Ombro e Cotovelo no Esporte, detalha os sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as abordagens de tratamento para cada grau da luxação acromioclavicular.
O Que É e Como Ocorre a Luxação Acromioclavicular?
A articulação acromioclavicular (AC) é o ponto de encontro entre a clavícula e o acrômio (uma extensão do osso da escápula). Ela é a principal conexão óssea do braço com o resto do tronco e é estabilizada por dois conjuntos importantes de ligamentos: os ligamentos acromioclaviculares e os ligamentos coracoclaviculares.
O principal mecanismo de trauma que causa essa luxação é a queda direta sobre o ombro (com o braço junto ao corpo) ou acidentes de trânsito (como quedas de moto e bicicleta). A força do impacto empurra a escápula para baixo, enquanto a clavícula permanece no lugar, causando a ruptura parcial ou total desses ligamentos.
Os 6 Graus da Luxação Acromioclavicular (Classificação de Rockwood)
Para avaliar com precisão a gravidade da lesão e definir o melhor tratamento, a ortopedia utiliza a Classificação de Rockwood, que divide a luxação em 6 tipos (ou graus):
Grau 1:
É a forma mais leve. Ocorre apenas um estiramento (entorse) dos ligamentos acromioclaviculares, sem rompimento ou desalinhamento dos ossos. O raio-X costuma ser normal.
É a forma mais leve. Ocorre apenas um estiramento (entorse) dos ligamentos acromioclaviculares, sem rompimento ou desalinhamento dos ossos. O raio-X costuma ser normal.
Grau 2:
Rompimento completo dos ligamentos acromioclaviculares, mas os ligamentos coracoclaviculares estão preservados ou apenas levemente estirados. A clavícula sobe um pouco, formando um pequeno degrau visível (desvio de até 25%).
Rompimento completo dos ligamentos acromioclaviculares, mas os ligamentos coracoclaviculares estão preservados ou apenas levemente estirados. A clavícula sobe um pouco, formando um pequeno degrau visível (desvio de até 25%).
Grau 3: Rompimento
completo de todos os ligamentos (acromioclaviculares e coracoclaviculares). A clavícula fica bem mais alta que o acrômio (desvio de 25% a 100%), formando uma deformidade muito visível no ombro.
completo de todos os ligamentos (acromioclaviculares e coracoclaviculares). A clavícula fica bem mais alta que o acrômio (desvio de 25% a 100%), formando uma deformidade muito visível no ombro.
Grau 4:
Lesão grave. Além do rompimento total dos ligamentos, a clavícula se desloca para trás (desvio posterior), perfurando e rasgando a musculatura da região (fáscia trapézio-deltoide).
Lesão grave. Além do rompimento total dos ligamentos, a clavícula se desloca para trás (desvio posterior), perfurando e rasgando a musculatura da região (fáscia trapézio-deltoide).
Grau 5:
Rompimento completo dos ligamentos e dos músculos ao redor. A clavícula sobre um deslocamento severo para cima (mais de 100% até 300% de desvio). O ombro fica esteticamente muito deformado e caído.
Rompimento completo dos ligamentos e dos músculos ao redor. A clavícula sobre um deslocamento severo para cima (mais de 100% até 300% de desvio). O ombro fica esteticamente muito deformado e caído.
Grau 6:
É o tipo mais raro e grave. A clavícula se desloca para baixo, ficando presa abaixo do acrômio ou do processo coracoide, o que pode comprimir nervos e vasos sanguíneos da região.
É o tipo mais raro e grave. A clavícula se desloca para baixo, ficando presa abaixo do acrômio ou do processo coracoide, o que pode comprimir nervos e vasos sanguíneos da região.
Quais São os Sintomas?
A intensidade dos sintomas varia diretamente com o grau da lesão, mas os principais sinais incluem:
Dor aguda no topo do ombro:
Principalmente após o impacto, agravando-se ao tentar levantar o braço ou cruzar o braço à frente do corpo (movimento de abraço).
Principalmente após o impacto, agravando-se ao tentar levantar o braço ou cruzar o braço à frente do corpo (movimento de abraço).
Deformidade estética (“Sinal da Tecla”):
A partir do Grau 2, é comum notar uma saliência na parte superior do ombro. Nos graus 3 e 5, ao apertar essa saliência (clavícula) para baixo, ela afunda e sobe novamente, como se fosse a tecla de um piano.
A partir do Grau 2, é comum notar uma saliência na parte superior do ombro. Nos graus 3 e 5, ao apertar essa saliência (clavícula) para baixo, ela afunda e sobe novamente, como se fosse a tecla de um piano.
Inchaço e hematoma:
Região dolorida, inchada e com manchas roxas devido ao sangramento interno dos ligamentos rompidos.
Dificuldade de sustentação:
Sensação de fraqueza e incapacidade de carregar peso do lado lesionado.
Como é Feito o Diagnóstico?
O diagnóstico é realizado através da união entre a avaliação clínica e os exames de imagem.
Durante a consulta, o ortopedista avaliará a história do trauma, apalpará o local buscando o “Sinal da Tecla” e testará a mobilidade. Para confirmar o grau exato, solicitamos:
Radiografia (Raio-X):
É o exame padrão-ouro. Frequentemente, pedimos incidências comparativas (raio-X dos dois ombros ao mesmo tempo), às vezes segurando um peso na mão afetada, para verificar o nível de deslocamento da clavícula.
É o exame padrão-ouro. Frequentemente, pedimos incidências comparativas (raio-X dos dois ombros ao mesmo tempo), às vezes segurando um peso na mão afetada, para verificar o nível de deslocamento da clavícula.
Ressonância Magnética (RM) e Ultrassom:
Nem sempre são obrigatórios, mas são extremamente úteis para avaliar lesões de Grau 1, que não aparecem no raio-X, ou para checar se houve danos aos tendões e cartilagens ao redor (como lesão no manguito rotador).
Nem sempre são obrigatórios, mas são extremamente úteis para avaliar lesões de Grau 1, que não aparecem no raio-X, ou para checar se houve danos aos tendões e cartilagens ao redor (como lesão no manguito rotador).
Tratamentos: Quando usar Tipoia e quando operar?
A principal dúvida dos pacientes é se precisarão de cirurgia. O tratamento da Luxação Acromioclavicular é altamente guiado pelo grau da lesão identificado na classificação de Rockwood e pelo perfil de atividade do paciente:
Tratamento Conservador (Sem Cirurgia)
Indicado para: Graus 1, 2 e a grande maioria dos casos de Grau 3. Nestes estágios iniciais, o corpo consegue se estabilizar com protocolos de reabilitação. O tratamento inclui:
Uso de tipoia:
Repouso articular de 1 a 3 semanas para aliviar a dor e evitar o estresse sobre os ligamentos.
Medicamentos e Gelo:
Anti-inflamatórios e analgésicos nos primeiros dias para controle da fase aguda.
Terapia por Ondas de Choque (TOC):
Caso a dor persista após as semanas iniciais, pode ser usada para estimular a cicatrização acelerada dos tecidos ao redor da lesão e promover forte efeito analgésico sem procedimentos invasivos.
Caso a dor persista após as semanas iniciais, pode ser usada para estimular a cicatrização acelerada dos tecidos ao redor da lesão e promover forte efeito analgésico sem procedimentos invasivos.
Fisioterapia Especializada:
Fundamental para recuperar a amplitude do movimento e, em seguida, iniciar o fortalecimento do manguito rotador e dos músculos estabilizadores da escápula. No Grau 3, pode restar um “calombo” residual estético (a clavícula alta), mas a função do ombro é totalmente recuperada.
Fundamental para recuperar a amplitude do movimento e, em seguida, iniciar o fortalecimento do manguito rotador e dos músculos estabilizadores da escápula. No Grau 3, pode restar um “calombo” residual estético (a clavícula alta), mas a função do ombro é totalmente recuperada.
Tratamento Cirúrgico
Indicado para: Graus 4, 5 e 6 (e alguns casos muito específicos de Grau 3).
Nas lesões de alto grau, a clavícula rasgou a musculatura (fáscia) e sofreu um desvio tão grande que a articulação não cicatriza mais sozinha. O tratamento obrigatoriamente é a cirurgia. A operação também pode ser indicada para lesões de Grau 3 em atletas profissionais ou trabalhadores braçais que dependem de força extrema acima da cabeça.
Nas lesões de alto grau, a clavícula rasgou a musculatura (fáscia) e sofreu um desvio tão grande que a articulação não cicatriza mais sozinha. O tratamento obrigatoriamente é a cirurgia. A operação também pode ser indicada para lesões de Grau 3 em atletas profissionais ou trabalhadores braçais que dependem de força extrema acima da cabeça.
Como é a cirurgia:
A intervenção tem como objetivo devolver a clavícula para o lugar correto e reconstruir ou substituir os ligamentos coracoclaviculares rompidos. Hoje em dia, utilizamos técnicas modernas, muitas vezes minimamente invasivas (artroscopia) e o uso de “botões” sintéticos (endobutton) com fios de alta resistência para ancorar a clavícula novamente à escápula.
A intervenção tem como objetivo devolver a clavícula para o lugar correto e reconstruir ou substituir os ligamentos coracoclaviculares rompidos. Hoje em dia, utilizamos técnicas modernas, muitas vezes minimamente invasivas (artroscopia) e o uso de “botões” sintéticos (endobutton) com fios de alta resistência para ancorar a clavícula novamente à escápula.
Recuperação Pós-operatória:
Exige o uso de tipoia por cerca de 4 a 6 semanas, seguido por um programa de reabilitação fisioterapêutica rígido. O retorno aos esportes de contato ou musculação pesada geralmente ocorre entre o 4º e o 6º mês.
Exige o uso de tipoia por cerca de 4 a 6 semanas, seguido por um programa de reabilitação fisioterapêutica rígido. O retorno aos esportes de contato ou musculação pesada geralmente ocorre entre o 4º e o 6º mês.
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A Luxação Acromioclavicular requer avaliação especializada rápida para evitar perda de força crônica, artrose precoce e dor crônica no ombro.
Seguir a orientação médica para o grau exato da sua lesão é o segredo para um retorno rápido e seguro ao esporte e à sua rotina normal.
Seguir a orientação médica para o grau exato da sua lesão é o segredo para um retorno rápido e seguro ao esporte e à sua rotina normal.